Como planear um bloco de treino com o ChatGPT
Pedir um plano ao ChatGPT é fácil. Mantê-lo é que não é. Este guia compara as três maneiras de o fazer, e depois planeia um bloco de cinco semanas do princípio ao fim.
1.As três formas, e o que cada uma te custa
A primeira é a que toda a gente faz: pedes um plano, ele escreve, tu copias para onde treinas. Funciona uma vez. O custo não está nessa conversa — está em todas as semanas a seguir, quando tens de voltar a explicar o que já existe para ele poder continuar.
A segunda é um GPT personalizado: guardas as instruções, o tom, as regras que queres. Melhora a resposta e não resolve o problema de fundo — continua a não ter acesso ao teu plano. Sabe como gostas que te escrevam um plano; não sabe o que a Sofia levantou na terça.
A terceira é ligá-lo como conector. Aí o assistente lê os teus atletas e escreve no teu plano: cria o bloco, as semanas e os treinos. O custo é uma ligação feita uma vez. É a diferença entre uma conversa que produz texto e uma conversa que produz o plano.
2.O que um chat sozinho não pode saber
Um plano sem histórico é um modelo. O trabalho de quem treina alguém não está em escrever a semana 1 — está em escrever a semana 4 sabendo o que aconteceu nas três primeiras: que carga subiu, qual é que estagnou, quem faltou a dois treinos e chega à semana de descarga sem precisar dela.
Um chat sem acesso aos teus dados não tem nada disso. Podes colar-lhe o histórico, claro, mas colar um plantel inteiro numa conversa todas as semanas é mais trabalho do que escrever o plano à mão. É por isso que quase toda a gente experimenta uma vez e desiste: não desistem da ideia, desistem da manutenção.
3.Um bloco de cinco semanas, do princípio ao fim
Começa pelo atleta e pelo objetivo, não pelos exercícios. "Cria um bloco de 5 semanas de hipertrofia para a Sofia, 4 dias por semana, upper/lower, a começar na próxima segunda" é um pedido que um assistente ligado consegue executar inteiro — e como o bloco é criado de uma vez só, ou falha por completo, não ficas com metade escrita.
Depois trata da progressão. O que costuma funcionar é manter as séries e subir a carga ou uma repetição de semana para semana, com a quinta a ser uma descarga. Diz isso explicitamente: se não disseres, vais receber cinco semanas iguais, que é o pior dos dois mundos — dá trabalho a montar e não progride.
No fim, verifica. Pede o volume semanal por grupo muscular e compara com o objetivo de cada músculo. É aqui que um assistente ligado ganha mesmo ao chat: consegue contar aquilo que acabou de escrever, e dizer-te que as costas ficaram em oito séries quando querias doze.

4.Os erros da primeira conversa
O primeiro é pedir tudo na primeira mensagem, antes de ele ter visto os teus dados. Enquanto não conhece o teu plantel, vale mais um pedido de cada vez: lista os atletas, mostra a semana atual, e só depois cria. Depois de ter visto uma vez, na mesma conversa, já lhe podes dar tarefas inteiras.
O segundo é aceitar os números sem olhar. Um assistente escreve com gosto vinte e cinco séries de peito numa semana se não lhe disseres nada — não porque esteja errado sobre treino, mas porque ninguém lhe disse quanto é que tu recuperas. Os intervalos que valem a pena estão noutro guia, e a conta fica melhor feita pela calculadora do que pela conversa.
O terceiro é não dizer as restrições. Quantos dias tens mesmo, que equipamento existe no ginásio, que ombro é que dói. Um plano perfeito para um ginásio que não é o teu não é um plano.
5.O que continua a ser teu
A decisão. O assistente é rápido a escrever e não tem opinião sobre o teu atleta: não viu a técnica, não sabe que ela dorme mal desde que mudou de turno, não vai reparar que o joelho ficou pior depois dos agachamentos. Essas coisas continuam a ser lidas por ti.
O que ele tira do caminho é a parte mecânica — montar as semanas, distribuir os treinos, contar as séries, copiar um modelo de um atleta para outro. É onde se perde tempo e não é onde se treina ninguém.
Ferramentas
Abrir a calculadoraCalculadora de volume semanal por grupo muscular
Escolhe os exercícios da semana, define as séries e vê quantas séries cada músculo recebe — sem registo.
Guias
Prompts para planear treino com IA (e porque é que funcionam)
Prompts prontos a usar no ChatGPT ou no Claude — e a diferença entre pedir a um chat e pedir a um assistente que escreve mesmo no teu plano.
Ler o guiaChatGPT ou Claude para planear treino?
O que é igual nos dois, o que muda mesmo, e a comparação que não te podemos fazer com honestidade. Podes ligar os dois à mesma conta.
Ler o guiaPerguntas frequentes
O ChatGPT pode substituir um treinador?
Não. Escreve depressa e não conhece o joelho do teu atleta. O que substitui é o trabalho mecânico de montar e manter o plano, que é diferente de decidir o que o plano deve ser.
Tenho de pagar alguma coisa no NoteFit para isto?
O conector faz parte da conta, não é um extra. Do outro lado, poder adicionar conectores depende do teu plano no ChatGPT ou no Claude — essa parte não é nossa.
E se ele inventar um exercício que eu não tenho?
Ele consegue procurar no catálogo de exercícios antes de montar o treino, e podes dizer-lhe logo que equipamento existe. Se mesmo assim escrever algo que não tens, corriges numa frase e ele reescreve.
Posso usar isto para mim, sem ter atletas?
Podes. És o teu próprio atleta: crias-te a ti, e o resto funciona igual.
Funciona em português?
Funciona. Escreve-lhe na língua em que pensas; os nomes dos exercícios do catálogo é que estão em inglês, porque é assim que estão guardados.