Prompts para planear treino com IA (e porque é que funcionam)

Um prompt bom para um chat e um prompt bom para um assistente ligado à tua conta são coisas diferentes. Num tens de dar o contexto todo; no outro tens de dar a decisão e deixá-lo ir buscar o contexto.

1.A diferença que muda tudo o resto

Num chat sem acesso aos teus dados, o prompt tem de carregar tudo: quem é o atleta, o que fez, que equipamento existe, quantos dias treina. É por isso que os "mega-prompts" de treino que circulam têm quinze linhas — estão a compensar a falta de informação com texto.

Com um conector ligado, metade dessas linhas é desperdício: o assistente consegue ir ver. O teu trabalho passa a ser dizer a decisão — o objetivo, a restrição, a data — e pedir que verifique o que escreveu. Prompts mais curtos, resultados melhores.

2.Os prompts que valem a pena

Para começar o dia: "O que precisa da minha atenção hoje?" — devolve quem está sem semana planeada, quem tem a semana vazia e quem está com o bloco a acabar sem nada a seguir, em todos os atletas ativos de uma vez.

Para criar: "Cria um bloco de 5 semanas de hipertrofia para a Sofia, 4 dias, upper/lower, a começar segunda-feira. Mantém as séries e sobe a carga semana a semana; a semana 5 é descarga." Repara que diz a progressão — sem isso ficam cinco semanas iguais.

Para ajustar: "O volume de costas da Sofia esta semana está abaixo do objetivo. Acrescenta duas séries num dia que tenha espaço, sem mexer no resto." E para rever: "Compara a semana 1 com a semana 4 deste bloco e diz-me onde a carga subiu e onde estagnou."

Ecrã de um treino no NoteFit com exercícios, séries, repetições, descanso e carga
O que um destes prompts produz: um treino escrito, com séries, repetições, descanso e carga — não um texto para copiares.

3.Porque é que estes funcionam

Três propriedades, e todas se podem copiar. A primeira é nomear o atleta: sem nome, o assistente tem de adivinhar ou perguntar, e nas duas hipóteses perdeste um turno. A segunda é dar a restrição real — dias, equipamento, a articulação que dói. Um plano perfeito para um ginásio que não é o teu não serve.

A terceira é pedir a verificação na mesma frase. "Cria o bloco e depois mostra-me o volume por músculo" vale muito mais do que só "cria o bloco", porque o assistente consegue contar aquilo que acabou de escrever. É a diferença entre confiar e conferir, e não custa nada.

4.Os prompts que parecem bons e não são

"Faz-me o melhor plano de treino possível" não tem resposta. Melhor para quê, para quem, com que equipamento, em quantos dias? O assistente vai inventar as respostas que faltam, e vais receber um plano genérico com ar de específico.

"Usa a ciência mais recente" é pior, porque soa a rigor. Um assistente não tem acesso à literatura em tempo real e não sabe o que saiu este mês; o que faz é escrever no tom de quem sabe. Se queres intervalos defensáveis, pede intervalos e verifica-os — os que usamos estão no guia das séries por semana, com as fontes no fim.

E "não te esqueças de nada" não é uma instrução. Diz o que não pode faltar: aquecimento, trabalho de core, um dia sem impacto no joelho. O que é implícito para ti não é implícito para ele.

5.Os prompts da manutenção semanal

Criar blocos é o que se mostra; a manutenção é o que consome a semana. Para registar o que chegou por mensagem: “A Sofia fez o treino de segunda — supino 4×8 com 52,5, remada 4×10 com 45, elevações 3×6. Regista.” Uma frase, uma sessão inteira, sem abrires a ficha.

Para a semana seguinte: “Copia a semana 3 da Sofia para a semana 4 e sobe 2,5 kg nos compostos.” E para o que costuma passar despercebido: “Que exercícios é que a Sofia não sobe há três semanas?” — é a pergunta que apanha a estagnação antes de ela virar desistência.

Nenhum destes exige que te lembres do estado de ninguém. É essa a diferença entre um assistente ligado e um caderno: podes perguntar em vez de teres de saber.

6.Quando o resultado não é o que querias

A reação errada é começar de novo. Se o bloco saiu com volume a mais, não peças outro bloco — diz o que está errado: “Tiraste o trabalho de ombro e puseste vinte e duas séries de peito. Corrige as duas coisas e deixa o resto como está.”

Corrigir sai mais barato do que recomeçar por duas razões. A primeira é que o assistente já tem o contexto da conversa e não repete o mesmo erro. A segunda é que recomeçar devolve um plano que muda noutras cinco coisas que tu já tinhas aprovado.

E quando a correção também falha, o problema costuma estar no pedido inicial, não no assistente. Volta atrás, escreve a restrição que faltava e pede outra vez — com ela dita, não subentendida.

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Perguntas frequentes

Vale a pena guardar prompts?

Vale, mas guarda os curtos. Os longos envelhecem depressa porque metade do que dizem passa a estar errado assim que o atleta muda. Um prompt de duas linhas com a decisão do dia dura mais do que um de quinze.

Posso pedir em português?

Podes, em qualquer das línguas em que pensas. Só os nomes dos exercícios do catálogo estão em inglês, porque é assim que estão guardados.

O assistente segue sempre o prompt à letra?

Não. Se lhe pedires algo impossível — dez treinos numa semana de quatro dias — vai improvisar. Por isso é que pedir a verificação na mesma frase compensa: vês logo o que ele decidiu por ti.

Preciso de um GPT personalizado para isto?

Não. Um GPT personalizado guarda instruções, o que ajuda no tom, mas não lhe dá acesso ao teu plano. É o conector que faz isso, e com ele os prompts ficam mais curtos, não mais longos.