Como progredir carga e volume no mesmo bloco
Há duas alavancas para progredir: pôr mais peso na barra e fazer mais séries. As duas funcionam, as duas acumulam fadiga, e puxar as duas ao mesmo tempo todas as semanas é a forma mais comum de não chegar ao fim do bloco.
1.Porque é que subir os dois falha
Carga e volume não são dois orçamentos separados. Saem do mesmo sítio — a tua capacidade de recuperar entre sessões — e somam-se. Uma semana com mais duas séries por músculo e mais dois quilos e meio em cada exercício não é uma semana um pouco mais difícil: é duas subidas ao mesmo tempo, e a conta faz-se na terceira ou quarta semana, quando as repetições começam a cair com a carga a subir.
O sintoma é quase sempre o mesmo e é fácil de confundir com falta de empenho: as primeiras séries do treino correm bem, as últimas colapsam, o treino demora mais e sabe pior. Não é falta de vontade. É um bloco que pediu duas coisas à recuperação e só tinha orçamento para uma.
2.As três formas que funcionam
A primeira é subir a carga com o volume fixo. Mantens as séries e as repetições onde estão e acrescentas peso quando consegues — é a progressão mais simples de ler, porque só uma coisa está a mudar, e é a que melhor serve blocos mais pesados e mais curtos.
A segunda é subir o volume com a carga fixa. Ficas com o mesmo peso e acrescentas uma ou duas séries por músculo de semana para semana. É a que costuma servir blocos de hipertrofia, sobretudo em quem já está perto do teto de carga para aquele intervalo de repetições.
A terceira é a que a maioria dos blocos acaba por usar: volume a subir na primeira metade, carga a subir na segunda. Acumulas trabalho enquanto estás fresco, e quando o volume já está alto deixas de lhe mexer e passas a pedir intensidade. As duas alavancas continuam a ser usadas — só não ao mesmo tempo.
3.Como isso se escreve numa semana
Escolhida a forma, a semana escreve-se sozinha. Numa progressão de carga com volume fixo: três séries de 8 a 10 com RIR 2, e a regra de que sobes dois quilos e meio quando fechas as três séries no topo do intervalo. A prescrição não muda de semana para semana — o que muda é o peso que ela produz.
Numa progressão de volume com carga fixa: as mesmas cargas, e as séries a passar de três para quatro e depois para cinco nos exercícios que escolheste para crescer. Repara que não é em todos — subir o volume em todos os exercícios ao mesmo tempo é a mesma armadilha do parágrafo anterior noutra escala.
Em qualquer dos casos, escreve a regra no plano e não só na cabeça. O campo das repetições aceita a notação que usarias à mão — "8-10 · RIR 2" —, por isso a instrução fica onde o treino está, e não numa conversa que ninguém vai reler em janeiro.

4.Os sinais de que subiste a mais
O primeiro e mais fiável é as repetições caírem à mesma carga e à mesma distância da falha. Se na semana 2 fizeste 3×9 com RIR 2 e na semana 4 fazes 3×7 com o mesmo peso e a mesma sensação, não estás a progredir devagar — estás a regredir com fadiga acumulada por cima.
Os outros são mais grosseiros mas contam: o treino a esticar-se sem o plano ter mudado, a última série do dia a ficar sistematicamente pior, e a vontade de saltar o treino a aparecer sem outra explicação. Compara a semana 1 com a semana 4 do mesmo bloco em vez de confiar na memória — é para isso que o histórico de cada exercício e o volume semana a semana existem.
5.O deload não é o plano B
A semana de descarga marca-se no início do bloco, não quando estagnas. Quem só descarrega ao bater na parede descarrega sempre tarde, já com semanas más para trás; quem tem a descarga marcada na semana cinco chega lá ainda a progredir e usa-a como transição em vez de reparação.
E é a descarga que torna a pergunta deste guia respondível. Um bloco com fim marcado pode ser lido: sobiste carga ou volume, funcionou ou não, e a decisão seguinte faz-se com essa informação. Um bloco que nunca acaba não responde a nada, porque nunca houve um momento em que se parasse para olhar.
Ferramentas
Abrir a calculadoraCalculadora de volume semanal por grupo muscular
Escolhe os exercícios da semana, define as séries e vê quantas séries cada músculo recebe — sem registo.
Referências
Trabalhos consultados para as faixas e as definições desta página. Onde a resposta honesta é um intervalo, é o intervalo que estes trabalhos suportam — não um número exato.
- Schoenfeld BJ, Ogborn D, Krieger JW (2017). Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: a systematic review and meta-analysis. Journal of Sports Sciences, 35(11), 1073–1082. doi:10.1080/02640414.2016.1210197
Meta-análise que encontrou mais crescimento com mais séries por semana, com retorno decrescente. É daqui que vem a ideia de faixa, e não de um número certo.
- Schoenfeld BJ, Grgic J, Ogborn D, Krieger JW (2017). Strength and hypertrophy adaptations between low- vs. high-load resistance training: a systematic review and meta-analysis. Journal of Strength and Conditioning Research, 31(12), 3508–3523. doi:10.1519/JSC.0000000000002200
Meta-análise que comparou cargas altas e baixas: hipertrofia semelhante numa gama larga de repetições, ganhos de força maiores com cargas altas.
Guias
O que é um deload e quando o programar
Uma semana de carga reduzida não é tempo perdido: é onde a adaptação aparece. Quando programar um deload, como o fazer e os erros que o estragam.
Ler o guiaUsar RIR e RPE sem testar o máximo
Como prescrever o esforço de cada série com repetições em reserva ou esforço percebido, sem precisar de testar um máximo que muda todas as semanas.
Ler o guiaPerguntas frequentes
Posso subir os dois numa semana só?
Podes, pontualmente — na primeira semana de um bloco, quando vens de uma descarga e estás fresco, é comum e não custa. O que não funciona é fazer disso a regra semanal.
Quantos quilos devo acrescentar?
O menor incremento que o ginásio permite, e só quando fechas o intervalo de repetições no topo. Para a maioria dos exercícios são dois quilos e meio; em exercícios pequenos, um quilo já é muito. Subir mais depressa não acelera nada — só te tira repetições.
E se estagnar a meio do bloco?
Primeiro confirma que é estagnação e não fadiga: uma semana mais leve responde a isso melhor do que qualquer análise. Se depois da descarga a carga volta a subir, era fadiga. Se não volta, o bloco seguinte precisa de mudar alguma coisa — a ênfase, os exercícios, ou o volume de partida.
Isto aplica-se a principiantes?
Em parte. Quem começa progride em carga quase todas as sessões durante um bom tempo, e não precisa de gerir as duas alavancas. Este guia interessa a partir do momento em que a carga deixa de subir sozinha, que é quando a escolha passa a existir.