Importar o histórico da caderneta para o NoteFit

Quem treina há anos tem o histórico numa caderneta, num Excel, ou nos dois. É isso que trava a mudança para qualquer app — e não o preço nem as funcionalidades. Com o assistente ligado, fotografas as folhas e ele escreve os blocos na tua conta, com as datas em que aconteceram.

Um caderno, depois uma folha de cálculo, depois três anos de calendário — blocos, semanas, deloads e cargas.

1.O histórico é o que te prende, não a app

Ninguém fica numa caderneta por gostar de papel. Fica porque lá dentro estão três anos de cargas, e passar isso à mão para outro sítio é uma tarde por cada ano — se a paciência aguentar. O resultado habitual é começar do zero na app nova e deixar o histórico para trás, o que é a pior das duas opções: perdes a comparação que dá sentido a treinar e continuas com a caderneta na mochila.

A parte mecânica — ler uma folha, perceber que "SUP 4x8 60" é supino com 4 séries de 8 a 60 kg, escrever isso numa semana com a data certa — é trabalho de transcrição. É exatamente o que um assistente com acesso à tua conta faz bem, e que não exige qualquer julgamento de treinador.

2.Duas entradas: a foto ou o ficheiro

O Claude e o ChatGPT leem imagens. Fotografas a página da caderneta, arrastas para a conversa e pedes que a passe para o NoteFit. Não precisas de a transcrever primeiro — é a transcrição que estás a delegar.

Se já tens Excel, é ainda mais direto: exportas para CSV ou colas o bloco de células na conversa. Praticamente qualquer folha exporta CSV, e o formato interessa mais do que a arrumação — colunas com nomes estranhos e ordens diferentes não são problema.

Para as fotos, três coisas ajudam mais do que qualquer aplicação de digitalização: luz de lado nenhum a fazer sombra na dobra, a página inteira dentro do enquadramento, e uma página de cada vez. Uma foto de duas páginas ao mesmo tempo lê-se pior do que duas fotos.

3.O que acontece a seguir

O assistente lê a folha, faz a correspondência entre o que lá está e os campos do plano, e cria o bloco com as semanas e os treinos lá dentro — numa só chamada, com as datas do passado. As cargas entram com cada exercício, não num segundo passo.

A parte que costuma surpreender é que as tuas abreviaturas sobrevivem. O campo das repetições aceita o que um treinador escreveria à mão: "8-10", "AMRAP", "30''", "8-10 · RIR 2", em qualquer língua. Não tens de normalizar a caderneta para o formato da app — é a app que aceita o formato da caderneta. As cargas por lado e as barras também têm lugar próprio, por isso um "20+40" da folha não se perde.

E ou entra o bloco todo ou não entra nada. Se uma semana vier malformada, a criação falha inteira em vez de te deixar meio ano escrito e meio por escrever, que seria pior do que não ter começado.

Ecrã de um bloco no NoteFit, com as semanas listadas e as suas datas
O que a caderneta passa a ser: um bloco com as semanas e as datas em que aconteceram, legível ao lado dos blocos novos.

4.O que fica igual, e o que não fica

Convém dizer isto com clareza: o NoteFit guarda o plano como foi escrito, e não tem um conceito separado de "treino feito". O que importas é a tua caderneta transcrita e datada — o que estava escrito naquele dia —, não um registo de execução à parte. Se na folha estava 4x8 a 60 e fizeste 4x7, o que fica é o que escreveres, tal como na caderneta.

Em troca, o histórico passa a ser utilizável. A evolução de um exercício ao longo do tempo, o volume de treino semana a semana, a comparação entre um bloco e o seguinte — tudo isso passa a ler os anos que importaste e não só o que fizeres de hoje em diante. Uma nota prática: as vistas de histórico olham por omissão para os últimos meses, por isso para ver 2023 tens de pedir esse período explicitamente.

5.Por onde começar — e não é por 2019

Importa primeiro o bloco mais recente, um só. Depois abre-o no NoteFit e compara com a folha: é aí que descobres se a letra do "3" está a ser lida como "8", se as unidades estão certas, se o exercício que escreves abreviado foi bem interpretado. Corriges o que estiver mal e só então continuas para trás.

Isto não é cautela excessiva — é a diferença entre corrigir cinco erros num bloco e descobrir os mesmos cinco erros repetidos em trinta. Depois do primeiro bloco confirmado, o resto vai depressa, porque o assistente já viu como a tua caderneta está escrita e passa a acertar mais.

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Perguntas frequentes

As minhas abreviaturas e notações vão sobreviver?

Vão. O campo das repetições guarda o texto como o escreverias — intervalos, "AMRAP", segundos, notas de RIR — até 40 caracteres e em qualquer língua. Não precisas de converter nada para um formato "de app".

E se a minha letra for má?

Algumas coisas vão ser mal lidas, e é normal. É precisamente por isso que se importa um bloco primeiro e se confere contra a folha antes de continuar. Corrigir na conversa é uma frase: dizes o que está errado e ele reescreve.

Quantos anos posso importar?

Não há limite do lado da ferramenta — as datas passadas são aceites como quaisquer outras. O limite real é a tua paciência para conferir, e por isso compensa ir por blocos em vez de despejar cinco anos de uma vez.

E as cargas por lado ou com barra?

Têm campos próprios: carga total, por lado, ou barra mais discos com o peso da barra à parte. Um "20+40" escrito na folha não tem de ser convertido à mão antes de entrar.

Isto apaga o que já tenho na conta?

Não. A importação só cria. As ferramentas de escrita do conector são sobretudo aditivas, e a escrita corre com a tua sessão, por isso as permissões da app continuam a valer.